As Musas de Safo

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 Proibido Prol Libido

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kia



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Localização : Brasil-Minas Gerais
Data de inscrição : 16/04/2008

MensagemAssunto: Proibido Prol Libido   Ter Abr 22, 2008 9:58 pm

Um quê de proibido no amor pode alargar contraditoriamente a linha das interdições que pretendemos quebrar. Não que sejamos traidores natos, mas a mera idéia de transgressão é capaz de elevar o desejo aquele ponto preciso em que, mesmo sem toque, conseguimos chegar a um profundo prazer. Na verdade, nem é preciso haver violação realmente, porque a idéia de conquistar aquilo que ainda não nos pertence torna a obtenção do objeto de desejo ainda mais satisfatória. Foi assim que aconteceu… Ela entrou em minha vida numa madrugada de proibições intensamente desejadas e me impediu de partir quando a manhã chegou…
- Melhor mantermos distância, Sarah… - Eu me esquivei assim que a senti se aproximar.
- Por quê?
- Você sabe que ainda não resolveu sua história com Alana.
- E você já encerrou o seu conto de terror triangular? - Ela alfinetou de forma maldosa.
- Mais um motivo para nem pensarmos em nada, - falei, decidida. Difícil seria manter a mesma convicção dividindo uma cama de casal com aquela garota. Havíamos viajado até uma praia, próxima à cidade onde morávamos, e a chuva forte impediu o nosso retorno. Para não dormirmos no carro, fomos forçadas a partilhar o único quarto disponível em uma pequena pousada.
- Você sabe do meu desejo… Nunca o escondi, - ela repetiu aquela frase me olhando do lado de fora da janela, deitada na rede que ficava na varanda.
- Não podemos… Não ainda…
- E se eu apenas contar o que quero fazer? - Sarah me observou de um modo que fez meu corpo queimar. - Sem tocar em você, não estaríamos fazendo nada errado, Nel. Não é?
- O que você acha? - Devolvi a pergunta fingindo desinteresse, mas sentindo os espasmos em meu corpo contrariarem aquela aparente frieza.
- E se eu chegasse mais perto e murmurasse no seu ouvido o que vamos fazer quando deixarmos o passado no lugar dele?
Aquelas idéias haviam se tornado perigosas demais, porque quem consegue causar arrepios com palavras é capaz de abalar tudo com apenas um toque. Rapidamente, eu me virei tentando dormir após um discreto “boa noite”. Implorava para meu sono chegar antes que ela viesse se deitar ao meu lado ou a minha sanidade cedesse à loucura do desejo.
(In)felizmente, ela não esperou tanto tempo assim e, sem se controlar mais, aproximou-se provocando-me com o ar desafiante de quem sabe ser capaz de fazer o outro sucumbir, ainda que esse permaneça de pé numa última tentativa de disfarçar a derrota.
- Posso ficar perto?
- Como… - Meio relaxada pelo sono, meio desperta pela presença dela, eu vi meus sentidos fraquejarem somente com a simples idéia de uma intimidade maior. - Perto de que jeito?
- Assim, olha… - Ela forçou o entrelace de pernas deixando-me ainda mais vulnerável ao sentir sua coxa pressionando minha virilha. - Se eu não tocar em você com as mãos, não violaremos às proibições. Acidentes acontecem… Corpos se esbarram… - Sarah murmurava comprimindo cada vez mais a coxa entre minhas pernas.
- Ah…- um delicado gemido escapou de minha boca.
- Que foi? - Sarah balbuciou quase unindo nossos lábios.
- Nada… nada… - Menti numa tentativa de demonstrar controle, mas a verdade é que ela me provocava com a profundidade da voz de Alanis; excitava-me com a sensualidade dos sussurros de Portishead e me condenava à prisão imaginária que cerca as notas de Duke no “Prelúdio para um beijo”.
- Quer que eu me afaste? - Ela me perguntou insinuando fazê-lo.
- Não… - Foi minha vez de prendê-la contra o colchão e sentir as pernas dela cederem com um leve tremor. - Fica aqui… Quero abraçar você desse jeito…
- Nel, isso não era proibido?
- O proibido é prol libido, - respondi com um sorriso levado observando-a se render aliviada.
- O que você está fazendo?
- Nada… nada… só dando carinho… Vira… Quero olhar para você enquanto nos encaixamos…
- Não…
- Não? - Indaguei.
- Não consigo mais resistir… - Foi tudo que ela conseguiu dizer antes de se entregar a mim e me receber como uma resposta naquela madrugada doce. Fizemos amor escutando o barulho do mar se misturando ao som do vento que alisava as folhas no coqueiral.
Ainda não éramos comprometidas ao ponto daquilo ser considerado uma traição; também não estávamos desimpedidas para que a nossa história lembrasse a perfeição dos contos de fadas. Mas, pouco importava, já que ansiávamos por um fruto falsamente “proibido”. Se nem Santo Agostinho negou a força da libido, melhor permanecer tão humana quanto certos “defeitos” podem nos tornar. Imperfeitas como a realidade da qual fazemos parte, tornamo-nos o retrato dos desejos que movem o homem em direção à vida.
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